Bento Gonçalves fecha o primeiro semestre em ritmo lento na geração de empregos
Dados são compilados pelo OECON, do CIC-BG
Em um primeiro semestre de redução no ritmo da geração de empregos, foi o setor da Construção que manteve, em junho, o saldo de empregos positivo em Bento Gonçalves. Conforme dados compilados pelo Observatório Econômico (OECON), do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), o município fechou o mês com 92 vagas positivas no mercado de trabalho. Somente entre os segmentos da construção de edifícios e dos serviços especializados em construção, foram 46 vagas positivas. A cidade encerrou o semestre com saldo positivo de 1.007 empregos, o 12º em geração de empregos no Rio Grande do Sul no período, no entanto, 36,7% abaixo do que havia sido registrado no acumulado do mesmo período de 2025.
A desaceleração de empregos é tendência em todo o País. O estudo mostra que, no Brasil, houve redução de 25%. No Estado, o desempenho foi ainda pior, com queda de 45,9% no acumulado de empregos. No caso de Bento Gonçalves, o comparativo isolado de junho é preocupante. Neste mesmo mês, no ano passado, o município havia gerado saldo positivo de 245 vagas, quase o triplo deste ano. A principal explicação demonstrada pelos números é a redução no ritmo da Indústria. Somados, Indústria e Serviços tiveram, somente em junho, queda de 62% em relação às vagas de junho de 2025.
Mesmo que em junho deste ano o segmento industrial da produção de borrachas e plásticos tenha apresentado saldo positivo de 38 vagas, e o setor econômico, de 70 vagas, o que mudou em relação a 2025 é o ritmo da demanda. A Indústria tem acumulado 364 vagas no primeiro semestre deste ano, é o setor que mais gerou novos empregos formais no município, no entanto, está 52,5% abaixo do que apresentava entre janeiro e junho de 2025. A indústria de produtos alimentícios, por exemplo, acumula saldo negativo de -33 vagas.
Em Serviços, mesmo que as contratações para atividades ligadas à saúde humana tenham mobilizado 38 vagas positivas em junho, o setor econômico fechou o mês com saldo negativo de -11 vagas. No acumulado, são 208 vagas positivas, mas uma variação negativa de 51,7% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Nos meses anteriores do levantamento, o Comércio havia demonstrado importante recuperação, e tem a melhor variação acumulada em relação ao ano passado, com aumento de 36,9% e saldo positivo de 115 vagas em empregos formais. No entanto, em junho, o setor diminuiu o ritmo, com saldo negativo de -18 vagas.
A salvaguarda da economia local é, de fato, a Construção, que acumula 339 vagas no primeiro semestre e variação de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025. Em junho, o setor gerou 52 novos empregos. O segmento de obras de infraestrutura acumula 201 novos empregos em seis meses, o maior saldo entre todos os segmentos avaliados. A Construção em Bento Gonçalves também se diferencia em relação aos demais setores econômicos pelo tempo de permanência dos trabalhadores empregados. O levantamento aponta uma média de 12,3 meses, semelhante aos índices nacional e estadual. Todos os demais setores econômicos mantêm o trabalhador, em média, menos tempo empregado do que nos níveis estadual e nacional. Em média, um trabalhador em Bento permanece no emprego 15,1 meses antes de ser demitido. No Rio Grande do Sul, e no Brasil, são 18,3 meses.
A cidade fechou o primeiro semestre com 51.207 trabalhadores formais, bem abaixo dos mais de 52 mil atingidos em fevereiro. Houve avanço de 2% em relação ao encerramento do último ano. No mesmo período, também houve crescimento no registro de novos MEIs. São 13.871, ou 2,1% a mais do que no final do ano passado. Em geral, a relação de empregos formais por MEI, em Bento, é de um MEI a cada quatro empregados formais. Em junho, essa relação ficou um pouco mais próxima, de um MEI para cada 3,7 empregados formais.
A projeção linear, de acordo com o histórico do OECON, desde dezembro de 2019, é de que Bento Gonçalves possa atingir 51,7 mil empregos formais em julho.
