“As empresas são grandes servidoras das pessoas”
Em live do CIC-BG, Eliane Zanluchi compartilhou dicas para empresas buscarem oportunidades no mercado
A consultora de negócios e inovação Eliane Zanluchi comparou a missão dos empreendedores frente ao surto da pandemia a dos médicos na linha de frente para salvar vidas. Em live do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), ela disse que os empresários têm o desafio de buscar soluções, porque advirá dessas ações o resultado para a sobrevivência da sociedade, inclusive sob o ponto de vista da saúde. A transmissão ocorreu na manhã de segunda-feira (08), pelas redes sociais da entidade.
Para isso, a professora internacional elencou também, é preciso se aproximar das equipes, dos clientes e até dos concorrentes. Eliane apontou alguns caminhos para as empresas apoiarem seus planos neste momento, que exige, antes de tudo, empatia. “Essa não é a hora de estratégias de venda”, ressaltou. Neste cenário de mudanças constantes, o engajamento da equipe é fundamental e, por ele, passa o papel da liderança. O caminho de mudanças das empresas para enfrentar esse momento envolve um processo no qual é preciso reconhecer o problema, ter clareza da situação do caixa, não agir sozinho, praticar a comunicação empática e agir de forma rápida.
Os líderes precisam reconhecer que hoje se vive num mundo VUCA, conceito surgido no pós-Guerra Fria que significa volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade – concepções bem aplicáveis à situação atual. Também, é necessário ter confiança no colaborador para gerar um ambiente de inovação. “Precisamos de menos controle de hora e mais controle de projetos, e isso só é possível se houver segurança psicológica. Temos que deixar nosso funcionário ser quem ele é. O líder precisa dar a segurança para ele se expressar, para a equipe apresentar as ideias que são essenciais”, disse. Outro aspecto é a flexibilidade cognitiva, que está ligada à segurança ao se expressar. “É permitir o pensamento fora da caixa, pois muitas vezes é a nossa equipe que está no campo de batalha”, ponderou.
Mediadora da live, a diretora de Comunicação e Marketing do CIC-BG, Jana Brun Nalin reforçou que o contato da equipe com o cliente é fundamental para observar seu comportamento. “Isso traz novos insights que proporcionam mudanças na prática, porque o cliente nos dá muitas respostas - ele pode até não falar, mas sua atitude diz muito”, avaliou Jana. Neste aspecto, é importante as empresas manterem um relacionamento digital com os parceiros, já que isso possibilita um arquivamento de dados sobre eles. Com isso são trazidas soluções imediatas que podem gerar resultados diferentes, possibilitando até mesmo estabelecer um novo propósito aos negócios.
Como descobrir as oportunidades
Para Eliane, esse também é o momento de revisitar os conceitos de empresas como instituições que visam somente o lucro. “Quando começamos a humanizar os negócios, percebemos que as empresas são grandes servidoras das pessoas e estão aí para resolver as problemáticas que os indivíduos enfrentam. A partir dessa visão, o cenário muda, o lucro passa a ser consequência de servir muito bem às pessoas”, descreveu.
Nesse entendimento, é preciso descobrir como servir melhor, já que a sociedade vive um momento de novas necessidades, a fim de identificar um senso de oportunidades. Eliane sugeriu seis passos para isso. O primeiro deles é reconhecer quem a empresa é e como ela pode ser útil na vida das pessoas. O segundo diz respeito em acreditar no que a organização oferece para fazer diferença na vida dos indivíduos. “Não precisa ser um grande produto, muitas vezes entregar bem uma pizza se está cumprindo um propósito de levar um sorriso, tem muito a ver com experiências, saber o propósito daquilo que estamos oferecendo”, explicou.
Entender o valor da empresa para o mercado também é vital para atrair mais parceiros e clientes aos negócios – “está relacionado ao como eu posso servir você”. O quarto aspecto é buscar novas possibilidades a partir do relacionamento com a equipe e com os clientes. O quinto passo é traçar um plano de ação que, pelas circunstâncias, permanecerá em aberto. “Estamos desenvolvendo nosso plano de futuro no futuro, por isso a necessidade de agilidade: o futuro chegou antecipadamente enquanto ainda estávamos desenvolvendo nossos planos para este e para os próximos anos”. O passo final é não deixar de sonhar. “Um grande objetivo para nos fazer evoluir, e impede que fiquemos na zona de conforto”, garantiu Eliane.
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A próxima live do CIC-BG será no dia 15 de junho, com o CEO da Tiny Software, Rogério Tessari, abordando negócios: “Marketplace ou Loja Virtual Própria – Que caminhos seguir para a digitalização dos negócios?”, e mediação do 2º vice-presidente do CIC-BG para assuntos da indústria, Bruno Benini.
